
Não sei se era muito criança e não me lembro com muita clareza dos acontecimentos, ou se apenas tenho a memória fraca. Me corrijam se eu estiver errado, mas gravidez precoce e infidelidade não aconteciam com tanta freqüencia como nos dias atuais. A não ser que as famílias tentavam a todo custo encobrir a besteira de um de seus membros para que a honra prevalecesse.
Por volta dos meus dez anos de idade, nem sabia o que era gravidez precoce e não havia por que me preocupar. Meus pais não conversavam sobre isso comigo porque eram raros os casos dessa natureza. Pois bem, fui crescendo e vendo a tal gravidez precoce se aproximar da minha realidade. Primas e primos ainda adolescentes, sem estrutura alguma para cuidar de si próprios, quanto mais de uma criança, prestes a se tornarem pais. Amigos da minha idade, na época com quinze, dezesseis anos, com a responsabilidade de educar um filho. Ainda jovem eu pensava: "Como é possível uma coisa dessas acontecer na era da informação?"
Quanto à infidelidade, essa é pior ainda, pois não trata-se apenas de imaturidade, mas também de falta de escrúpulos e respeito. Se acontece antes ou depois do casamento, não interessa, a falta é a mesma. Por que as pessoas assumem compromissos se não são capazes de honrar sua palavra? Por que se casar com alguém, dizer que ama e no dia seguinte se entregar a outra pessoa apenas porque ela é a mais gostosa do escritório? Sinceramente não consigo entender como as pessoas são capazes de fazer tal coisa. Não vou ficar com demagogia e dizer que não me sinto atraído por outras mulheres quando algo nelas me chama a atenção, mas atração é uma coisa e traição é outra. A atração, que um pouco tem a ver com tentação, sempre vai estar lá. Cabe a nós a decisão de nos entregarmos à tentação ou agir de maneira fiel e nobre.
Finalizando o post de hoje, quero dividir com vocês um caso de família verídico que conseguiu consolidar as duas coisas: gravidez precoce e infidelidade. Resultado catastrófico.
Um primo (adulto) estava noivo e preparando-se para casar. O casamento deveria ocorrer no final do ano, mas por conta de uma gravidez precoce, decidiram adiantar o casamento. Casaram-se, o garoto nasceu e tudo parecia lindo e maravilhoso. Ele só não estava preparado para as ações da esposa após o nascimento do filho. Ele se queixava de não ser mais tratado por ela como marido e homem, mas simplesmente como pai do filho dela. Com um pouquinho, só um pouquinho, de maturidade, qualquer homem é capaz de entender que os meses após a gravidez são muito difíceis para a mãe, uma vez que ela se acha feia, obesa e muito cansada por ter de cuidar do filho. Lógico que não terá pique e nem vontade de transar até no lustre quando o marido chegar em casa, mas é uma fase passageira e tende a normalizar. Só que antes da esposa dele passar por essa fase, o patife arrumou uma amante e achou que ninguém descobriria. Descobriram, e o casamento, após pouco mais de um ano, sucumbiu. Se a criança não viesse na hora errada, se ambos tivessem curtido a vida de casado até dizer chega, e só depois decidissem ter um filho, a história seria diferente. Mas uma coisa atropelou a outra, e a gravidez precoce unida à falta de maturidade do pai fará com que a criança, que não tem culpa de nada, sofra as conseqüências para o resto de sua vida.
O pior de tudo é saber que a cada adolescente que engravida ou esposo(a) pego com a boca na botija, a coisa parece ir ficando natural. Ninguém mais se espanta ao ver uma adolescente grávida aos 14, e nem ao saber que o fulano traiu beltrana. A moda é colocar panos quentes em tudo e deixar a vida rolar.
Acredito que todos têm o direito de errar, mas existem maneiras e maneiras de assumir e consertar um erro. Vivo de acordo com a expressão "live and let live". Cada um faz o que quiser e bem entender da sua vida, desde que não machuque ou atrapalhe outras pessoas. No caso do pivô da história acima, ele machucou sua ex-esposa, seu filho e sua família, e esses erros dificilmente serão reparados.
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Uma feliz Páscoa a todos!